“Se conselho fosse bom, ninguém dava!”. Esse ditado popular tem atravessado gerações e, normalmente, expressa um sentimento de frustração por parte de quem aconselhou e a resistência de que o recebeu. Um desabafo: “não se meta onde não foi chamado!”.
Todos nós crescemos ouvindo conselhos de nossos pais e familiares, de nossos professores, tutores e amigos. Alguns acabam criando uma resistência natural a qualquer conselho, outros se tornam dependentes deles.
Alguns conselhos realmente ajudam, encorajam, mas outros, seria melhor nunca tê-los ouvido! Mas como fazer uso de “CONSELHOS”? Como identificar o bom e o mal conselho e, principalmente, como dar um bom conselho a alguém?
1. Pedindo conselho:
De repente você se sente perdida, não sabe qual rumo ou decisão tomar, sua mente está confusa e você não consegue pensar com clareza. Num impulso, você liga para seu melhor amigo e num turbilhão de emoções relata os fatos de acordo com seu ponto de vista. Do outro lado da linha, alguém que realmente se importa com você, e que te ama, é pego totalmente de surpresa, mas ouve atentamente, capta todos os seus sentimentos, sem ter a mínima idéia dos fatos reais e não sabe o que realmente se passa em seu coração. Na melhor das intenções é movido pelas suas emoções, despeja centenas de conselhos, geralmente começando com a famosa frase: “SE EU FOSSE VOCÊ...”.
Se você já passou por essa situação, sabe muito bem que esses conselhos não vão ser ouvidos. Eles são os famosos “Conselhos fora de hora”, simplesmente porque você não ligou para pedir um conselho, mas sim para desabafar. Mas a pessoa que te ouviu muitas vezes se sente frustrada, e até decepcionada, por você não ter ouvido o conselho dela.
Como evitar tal situação?
A mesma situação:
Dessa vez você pára, se for possível vá andar ou correr ou fazer qualquer outra atividade que mantenha seus músculos ocupados. Caso não possa sair, mude seu foco de atenção: pegue uma revista de fofocas, leia algo fútil ou qualquer coisa que afaste totalmente seus pensamentos do ponto crítico que lhe causa tanta aflição, que lhe faça esquecer o problema por alguns minutos.
Quando novamente voltar sua atenção ao problema, faça a você mesmo as seguintes perguntas:
- Eu realmente nunca passei por isso antes?
- Qual foi a última vez que me senti assim? E por quê?
Se você conseguir responder essas duas perguntas, abrirá uma porta para seu inconsciente e pode, por si mesma, encontrar uma solução. Lembre-se: A maioria das respostas que procuramos estão dentro de nós mesmos!
Porém, se mesmo respondendo às perguntas você ainda se sentir perdida, então faça outras duas perguntas:
- Realmente preciso de um conselho?
- Quem é a melhor pessoa para me ouvir e me ajudar?
Respondendo essas perguntas, você TALVEZ descubra que a única coisa que você realmente precisa é ser ouvida. Então, se esse é o caso, quando ligar para seu amigo/a, seja sincera com ele/a: “Vou te contar uma coisa, mas não quero um conselho, quero apenas que você me ouça”. Pode parecer estranho à princípio, mas com o tempo seu amigo/a passa a entender que você só quer ser ouvida.
Se por fim você decidir que o melhor mesmo seria um Conselho, leve em conta algumas considerações:
Homens e Mulheres pensam diferentes, por isso aconselham diferentemente. Homens são práticos e normalmente dão conselhos voltados à solução rápida do problema. São excelentes conselheiros para assuntos como: escolha de profissão, mudança de emprego, achar um bom mecânico para seu carro ou consertar o computador. Homens da família, tais como seu pai ou irmão, também podem ser bons conselheiros, quando o assunto é o relacionamento com sua mãe ou outro membro da família.
Por outro lado Mulheres são emotivas e dificilmente conseguem ouvir sem se envolver no problema, e quanto mais próximas a você, mais empenhadas elas ficam em encontrar uma solução. O lado bom é que aconteça o que acontecer, elas estarão lá por você. O ruim é que muitas vezes o envolvimento delas por vezes excede o limite do conselho.
Por exemplo “a Mamãe”: desde que somos crianças nossa mãe é sempre a nossa primeira opção. Ela nos ama e jamais nos daria um conselho que venha a nos prejudicar. Porém, é exatamente por isso que devemos pensar bem, se ela seria realmente a melhor opção. O instinto materno sempre fala mais alto. Elas querem nos proteger, mesmo que isso signifique nos segurar no ninho quando já estamos prontos para voar.
Uma colega de trabalho pode ajudar em pequeninas dicas: o que vestir, uma receita para o jantar, um bom destino para as férias, etc. Cuidado para não confundir a linha entre o companheirismo e a amizade, pois é lógico que uma colega pode sempre vir a se tornar uma grande amiga, mas num ambiente competitivo como é o ambiente de trabalho, as chances de que essa colega use suas confissões para seu próprio benefício são grandes. Então, tenha certeza que essa pessoa é realmente confiável antes de lhe abrir o coração sobre seus problemas pessoais.
A maioria de nós escolhe nossa melhor amiga para um conselho, afinal ela está sempre ao nosso lado nos momentos mais difíceis, nos conhece, nos compreende, e, sem dúvida, é a melhor opção na maioria das vezes. No entanto, quando se trata de conselhos sobre seu relacionamento com seu namorado/marido, sua melhor amiga pode não ser a melhor opção.
Explico o porquê: vocês são excelentes amigas (as melhores!) e tem sido assim por longa data. Porém, a não ser que a amizade tenha iniciado depois do relacionamento, ela provavelmente tem certas reservar quanto a ele, não por algum motivo especial, mas pelo simples fato de que depois que você iniciou o relacionamento, a amizade de vocês passou a ficar em segundo plano. Por mais compreensiva que seja uma amiga, sempre fica uma pontinha de ciúmes! Então, quando você levar qualquer problema sobre seu relacionamento para sua amiga, preste muita atenção na primeira reação dela, se mesmo quase inconsciente, ela lhe defender a extremo e atacá-lo sem motivos, pense que talvez seja melhor parar por aí e evitar dizer tudo a respeito do relacionamento para ela, porque o pouco a pouco pode ser tornar fatal, tanto para o seu relacionamento, quanto para a amizade de vocês. Porque se você seguir os conselhos dela, é possível que seu relacionamento não dure muito, e se você não seguir, pode ser que ela fique magoada. Hum! Difícil dilema, não é mesmo? Então, por que não evitar esse tipo de situacao e tentar resolver seus problemas amorosos com a única pessoa a que isso realmente interessa: seu namorado/marido? Por mais difícil que seja a situação, o diálogo franco e aberto é sempre a melhor saída.
Porém, se você acha que realmente precisa de conselhos para isso, procure alguém experiente, que lhe inspire confiança e que seja totalmente neutro na situação. Muitas vezes a melhor opção é uma pessoa estranha, um counselling ou, até mesmo, um psicólogo. Essas pessoas são preparadas para aconselhar, sabem extrair as informações necessárias para lhe fazer refletir e encontrar, por si mesma, as respostas que procura.
2. Dando bons conselhos.
Depois de todas as considerações sobre pedir conselho, você já deve ter se dado conta de que aconselhar alguém não é apenas uma questão de dizer o que você pensa. Quando alguém que você realmente considera vem lhe trazer um problema, ouça com atenção, pois muitas vezes as pessoas nos pedem conselhos para algo que ela tem definido em mente, portanto o que ela busca não é um conselho, mas sim uma aprovação. Como aquela amiga que se encontrou com um rapaz uma semana antes, ele pegou o telefone dela e ficou de ligar, mas não ligou, então ela lhe pergunta se deve ligar para ele ou não. Num impulso, você responde: “Não, ele ficou de ligar, então espera!”. Mas isso não é o que ela quer ouvir, o que a faz perguntar a outra amiga, e para outra, e ainda mais uma, até encontrar alguém que diga: “Liga vai! Que mal há nisso!”. Ela liga, ele a ignora, então mais tarde ela volta se lamentando e você guarda para si mesma: “Eu sabia que isso ia acontecer!”. Neste caso, o melhor conselho é um seqüência de perguntas que vai levá-la a pensar nas conseqüências, e fazê-la achar a melhor resposta.
Enfim, este é o meu conselho sobre conselhos, mas se você também acha que conselho só é bom quando temos que pagar, então pode fazer o depósito na minha conta.
...uma Amiga...
22 June, 2004
Subscribe to:
Comments (Atom)
